Ao assistir um praticante desta modalidade muitas pessoas se questionam da forma como os movimentos são realizados e sobre a dificuldade. E, realmente, de fato, é bem complexa. Porém, se praticado corretamente e prestando atenção nas orientações do seu Shifu (professor), o praticante desenvolve com maior segurança e eficiência a técnica que lhe é transmitida.

Da mesma forma que existem patamares a serem transpostos nas diversas áreas da vida (visando galgar um objetivo maior naquilo que fazemos), o praticante de Kung Fu deve transitar pelos Jies (fases sistema de graduação adotado pelo Kung Fu Tradicional), de forma que ele absorva as técnicas com maior número de detalhes possíveis e vá construindo uma base firme de aprendizado que o deixará preparado para seguir adiante e aprender técnicas mais avançadas.

Para tudo o que quisermos fazer em nossas vidas, precisaremos ter segurança e muitas vezes um conhecimento prévio de certos assuntos para evitar deslizes cruciais que certamente nos levariam ao erro.

Dentro desse contesto, o Kung Fu permite que sua prática seja exercitada por uma gama maior de pessoas dentro da diversidade de seus praticantes, podendo ser uma criança, adulto, homem, mulher e pessoas da terceira idade. Decerto, a forma pela qual os exercícios e as técnicas serão ensinadas será variada de acordo com as necessidades do praticante.

Assim, não é exigida a mesma habilidade do aluno de graduação alta para o aluno de graduação mais baixa. Mesmo no momento das grandes dificuldades o aluno é incentivado a treinar e tirar o melhor de si a cada instante para que ele possa trespassar aquela dificuldade e seguir a diante.

Esse tipo de incentivo é conclusivo para o aluno, posto que fará com que ele perceba que, não só no Kung Fu, mas em qualquer âmbito de sua vida, poderá ultrapassar o obstáculo à frente e continuar seu rumo ao objetivo que pretende alcançar.

Assim sendo, o aluno é incentivado a demonstrar seu aprendizado à avaliação do Shifu (professor), por meio da realização do exame de graduações.

Os alunos são separados de acordo com o sua graduação e, de uma forma organizada, todos são avaliados por uma grupo composto pelo professor mais graduado e outros professores convidados. O aluno então enfrenta não só a pressão de estar sob avaliação, mas também de estar sendo observado por uma plateia composta por outros alunos, parentes e amigos daqueles que estão realizando o exame.

Além da demonstrada das formas durante a realização do exame, aqueles que o concluem com sucesso passam a ser avaliados durante as aulas seguintes e são incentivados a se esforçar mais durante os treinos do que em relação ao seu desempenho na graduação anterior.

Outro benefício que a prática das artes marciais tradicionais chinesas possui é a aplicação da disciplina e o reconhecimento de que, muito embora haja divisões hierárquicas, ninguém é melhor ou pior do que ninguém como pessoa.

Pode haver diferença no que tange à habilidade técnica, mas como ser humano todos são iguais e esta assertiva é uma premissa fortemente enraizada no conceito de "familia" e dos preceitos filosófico-cultural transmitido aos alunos. O respeito é primordial e reconhecer a hierarquia superior é um requisito da nossa sociedade, seja dentro da academia, na família, na escola ou no trabalho.

“A sua atitude tem mais valor quando ninguém o está observando do que quando estão todos ao seu redor.”